Carta do CA-EE ao Presidente do CNPq


 
 

 

A Diretoria da SBA e seu Conselho Superior  subscrevem  inteiramente a manifestação do CA-EE transcrita a seguir.

 

Brasília, 28 de agosto de 2019

Ao Exmo. Dr. João Luiz Filgueiras de Azevedo Presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq

O Comitê de Assessoramento de Engenharia Elétrica e Biomédica (CA-EE) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) junta-se aos demais CAs que já se pronunciaram e vem também manifestar sua preocupação diante dos graves cortes que o orçamento do CNPq tem sofrido nos últimos anos, desde 2014, e mais intensamente neste ano de 2019. Esses sucessivos cortes de verbas têm causado diminuição do apoio à projetos de pesquisa, redução na formação de recursos humanos e diminuição da concessão de bolsas de pesquisa desta que é a mais importante agência de fomento à pesquisa do país, com mais de 60 anos de história.

No último julgamento de financiamento de projetos de pesquisa, bolsas e auxílios (ARC e Bolsas Especiais) realizado em 2019, o CA-EE recebeu uma demanda qualificada de projetos que foram julgados e priorizados, mas até mesmo aqueles aprovados em prioridade alta infelizmente não foram contemplados com recursos, o que pode inviabilizar a realização de tradicionais eventos científicos no país e a realização de pesquisas em áreas tecnológicas consideradas estratégicas tanto pelos órgãos de Estado e de Governo quanto pela iniciativa privada.

A interrupção do financiamento de pesquisa e da concessão de bolsas, desde as de iniciação científica até as de pesquisadores sêniores, comprometerá a geração de conhecimento, a formação de recursos humanos qualificados e a manutenção destes atuando e gerando riquezas no Brasil. Bolsas que não sofreram atualização de valores nos últimos 6 anos agora estão correndo risco de serem suprimidas ou ainda mais drasticamente reduzidas, colocando em risco o seu papel formador e gerador de conhecimento e riqueza para a Sociedade.

Como muito bem colocado pelos membros do CA-IM: “Sem ciência não há crescimento sustentável, não há educação de qualidade, não há produção tecnológica, não geram-se aplicações para solucionar graves problemas da nossa população. Da mesma forma, não geram-se novas empresas, e não alimenta-se a economia que depende das atividades de pesquisa. Portanto, a virtual interrupção de financiamento à pesquisa não só prejudicará o progresso científico, mas levará a um significativo desestímulo à economia do país e aumento da taxa de desemprego em diversas áreas. Pelo impacto que atividades de pesquisa tem na economia, e por seus benefícios em curto e longo prazos, sabe-se que financiar pesquisa não é gasto, e sim investimento”.

Como representantes dos pesquisadores da área de Engenharia Elétrica e Biomédica junto ao CNPq, manifestamos formalmente nossa preocupação. Esperamos que os atuais cortes anunciados possam ser revertidos imediatamente, e nos colocamos à sua disposição para ajudar no que for possível.

Assinam esse documento, o CA-EE:

Joaquim Ferreira Martins Filho (UFPE)

Vilma Alves de Oliveira (USP) Eduardo Antonio Barros da Silva (UFRJ)

José Wilson Magalhães Bassani (UNICAMP)

Antônio Carlos Guimarães de Almeida (UFSJ)

Amit Bhaya (UFRJ)

Marcelo Cabral Cavalcanti (UFPE)

Ruben Augusto Romero Lázaro (UNESP)